sábado, 1 de dezembro de 2012

Mágoas de papel



A claridade das persianas não me deixa dormir.Com dificuldade levanto-me pronta para enfrentar mais um dia de trabalho. Contudo, ao sair, não consigo deixar de olhar para a nossa fotografia de casamento …
Nós éramos tão felizes, tão jovens e tão apaixonados. O nosso amor conseguia vencer qualquer adversidade que a vida nós colocasse à frente. Quando estávamos juntos parecia que todas as noites resplandeciam e que todos os dias eram especiais.
Cada “ amo-te” era um mundo e cada “sempre” era uma promessa. Cada jura era um parágrafo do nosso conto de fadas e cada plano feito era uma peça do extenso puzzle que queríamos completar os dois. Os meus olhos brilhavam sempre que te viam, a minha garganta secava sempre que me tocavas e o meu coração acelerava sempre que escutava a tua voz; Tínhamos tanto pela frente … éramos uma bela história de amor, onde eu era a tua princesa e tu eras o meu príncipe encantado.
Eras aquilo que eu sempre sonhara e tudo aquilo que eu queria era ficar contigo. Era subir as ruas de Lisboa contigo apoiados um no outro cambaleando com o peso da idade carregado às costas. Era ter-te comigo na hora da minha morte e ser o teu olhar a minha última imagem… mas nada acontece como prevemos, a vida encarrega de nos trocar as voltas e neste momento já não te tenho ao pé de mim … faz meses que partiste por decisão própria deixando comigo um vazio descomunal e uma mágoa devastadora.
Não sei se o que custa mais é ter que seguir a minha vida ou saber que já te tive e que no passado tudo era tão completo…
 A dor que sinto vai permanecendo e resistindo ao tempo, porém tenho a certeza que um dia ainda vou voltar a ser feliz sem ti, porque tudo acontece porque assim tem de ser e pode demorar tempo mas tudo vai acabar por ficar bem, pois nenhuma dor é em vão, nenhuma lágrima é uma mentira e cada segundo passado contigo foi desfrutado…
 Mas até a alegria voltar, vou continuar a adormecer com lágrimas no rosto para que tenha forças para sorrir de dia e uma coisa é garantida: a vida não vai parar por causa da minha dor e dos nossos problemas, o sol vai sempre nascer para nos dar a oportunidade de recomeçar e cabe a nós decidir o rumo que queremos dar à vida.

sábado, 30 de junho de 2012

A arte nos erros



Todos dizem-se maduros, mas poucos sabem o que isso é… Para ser sincera nem eu sei verdadeiramente o que é e dificilmente saberei. Nunca se alcança a maturidade, nem nunca se chega a saber tudo sobre a vida … A vida, essa, prega-nos partidas diárias e é com essas partidas e desafios que vamos crescendo e vamos aprendendo. Eu caí. Caí uma, duas, três vezes e vou continuar sempre a cair, mas sei que quantas mais vezes cair, mais rápida será a minha subida.
                Saber cair com elegância é uma arte, mas arte é também não ter medo de admitir que se caiu, porque é no momento da queda que ganhamos forças, que ganhamos sabedoria e que ganhamos experiência… É com a dor e o sofrimento da queda que amadurecemos e que aprendemos a olhar para a vida de uma nova forma.
                 Hoje sei que consigo suportar aquilo que antes não suportava…Hoje sei que consigo ver de uma forma mais madura aquilo que antes via de forma diferente e é bom que isso aconteça.
Aprender com os erros é aprender a viver, porque nada é em vão… tudo se transforma em sabedoria e conhecimento, desde os pequenos até aos grandes atos, desde os avanços aos recuos, desde as lágrimas aos sorrisos .Pobres de espírito são aqueles que não conseguem assimilar nada com os seus erros e com os erros dos outros.

 A vida é uma dádiva, só temos é que saber aproveitar aquilo que ela oferece.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

A mágoa



Não sei o que sinto, nem sei sobre o que escrevo… Deixo que as palavras escapem do meu pensamento e invadam o coração de quem as lê e sente…deixo que os medos, as incertezas e as angústias deslizem para o papel como as lágrimas deslizam pelo rosto… Não sei nada, às vezes nem sei quem sou… Sei que por vezes o medo e a tristeza tomam conta de mim e daquilo que eu quero ser…           
Sinto-me débil e vazia, como se algo tivesse sido arrancado do peito e não me tivesse sido devolvido… Procuro certezas no meio de tantas incertezas, respostas no meio de tantas dúvidas, alegria no meio de tanta amargura e verdade no meio de tantas mentiras…
Quero fugir, mas o meu corpo não deixa. Porém ,quando dou por mim,  a minha alma está no fundo do imenso oceano … nos meus olhos encontra-se um vasto vazio, enquanto no meu sorriso encontra-se uma máscara para que o outro… tu… não vejas quem eu sou ou como me sinto…
Quero voar, ser livre que nem um pássaro, sentir aquela brisa do vento na cara como sinal de liberdade e de paz… Quero mergulhar, sentir a frescura da água a deslizar pelos meus longos cabelos e desprezar aquilo que me provoca tanto sofrimento.

Mas não dá, os meus pensamentos levam-me para o foco da dor… Tento levantar-me e continuar a fazer o meu caminho no meio de tantos erros cometidos, de tantas palavras ditas, de tantos silêncios feitos, de tantas emoções sentidas e de tantas lágrimas derramadas e faço força… faço força para aguentar,  para não desistir e sei que quando a fadiga tomar conta de mim , quando pensar que não vou conseguir mais, haverá sempre uma luz, uma força que nunca me deixará abandonar esta luta... que é a luta pela felicidade.