O termo” Juventude”
é considerado como sendo “o período da vida que normalmente ocorre entre a infância e a
idade adulta”. No entanto, é muito mais do que isso. É uma etapa essencial
na construção do “ eu”, pois coloca-se em causa tudo aquilo que nos foi sendo
adestrado através da educação e refletimos sobre o “eu” , o “outro” e sobre a
relação do “eu” com o “outro” . É a
idade em que se introduz esperança na mudança do futuro e se começa a batalhar
pelo destino, longe das saias da mãe e dos bigodes do pai. E se essa ânsia de
progredir fazia a sociedade evoluir, tal não acontece nos dias de hoje.
Mas, se antes, com bastante
dificuldade, os jovens edificavam as
suas vidas, agora com o muito que oferecem aos filhos, fazem com que estes não
tenham que lutar por nada. O conceito de
“ fazer pela vida “ mudou ao longo dos anos e , hoje, temos o que é considerada
uma “juventude amorfa “ .
Ora vejamos as discrepâncias entre o
que era ser jovem há 20 anos e o que é ser jovem agora. E podemos começar pelo mais simples
– os valores.
Anteriormente,
a educação passava por sermos bem educados, respeitar o outro e saber conhecer os nossos limites enquanto
parte de uma sociedade. Volvidos 30 anos, deparamo-nos com pais que ,acima de
tudo, exigem pouco em comparação com o que oferecem, o que faz os jovens tornarem-se
irresponsáveis, apáticos em relação ao seu futuro e sem a mínima consideração pelo outro que,
afinal, é igual a cada um de nós . E isso é visível diariamente numa escola,
por exemplo , onde as crianças já desde tenra idade têm a “amabilidade” de ser constantemente mal -
educados para quem os ensina e tenta
transmitir o valor do trabalho e da disciplina; ou mesmo no seio familiar, onde
antes os filhos tinham respeito e até medo e ,agora , muitos têm a ousadia de
contrariar a sua autoridade , chegando mesmo a insultar e a agredir os seus
progenitores.
A geração que fez o 25 de Abril e
batalhou por um futuro melhor desenvolveu uma descendência que tem tudo
garantido e que perdeu a noção que a nossa liberdade acaba quando começa a do
outro. Se antes os meninos brincavam na rua ao berlinde e ao pião e sabiam ser
crianças, agora ,antes de saberem dizer obrigado , já têm e sabem trabalhar com
qualquer dispositivo tecnológico , preferindo este ao contacto humano.
Posto isto, é fácil perceber que a
forma como a juventude usufrui desta etapa da vida é diferente. Se ,por um lado,
hoje consegue-se mais liberdade, conforto e acesso à informação , por outro, há
menor valorização do trabalho e da educação. Os adultos que foram privados de
uma vida digna, criam os filhos a “ pão
de ló “ estragando-os, e é inegável que os jovens de hoje vão ser os alicerces
de um país, pois neles está a responsabilidade de serem os agentes de transformação desta nação.
