quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Juventude de berço

          O termo” Juventude” é considerado como sendo “o período da vida que normalmente ocorre entre a infância e a idade adulta”. No entanto, é muito mais do que isso. É uma etapa essencial na construção do “ eu”, pois coloca-se em causa tudo aquilo que nos foi sendo adestrado através da educação e refletimos sobre o “eu” , o “outro” e sobre a relação do “eu” com o “outro”  . É a idade em que se introduz esperança na mudança do futuro e se começa a batalhar pelo destino, longe das saias da mãe e dos bigodes do pai. E se essa ânsia de progredir fazia a sociedade evoluir, tal não acontece nos dias de hoje.
            Mas, se antes, com bastante dificuldade, os  jovens edificavam as suas vidas, agora com o muito que oferecem aos filhos, fazem com que estes não tenham que lutar por nada.  O conceito de “ fazer pela vida “ mudou ao longo dos anos e , hoje, temos o que é considerada uma “juventude amorfa “ .
            Ora vejamos as discrepâncias entre o que era ser jovem há 20 anos e o que é ser  jovem agora. E podemos começar pelo mais simples – os valores.
Anteriormente, a educação passava por sermos bem educados, respeitar o  outro e saber conhecer os nossos limites enquanto parte de uma sociedade. Volvidos 30 anos, deparamo-nos com pais que ,acima de tudo, exigem pouco em comparação com o que oferecem, o que faz os jovens tornarem-se irresponsáveis, apáticos em relação ao seu futuro  e sem a mínima consideração pelo outro que, afinal, é igual a cada um de nós . E isso é visível diariamente numa escola, por exemplo , onde as crianças já desde tenra idade têm  a “amabilidade” de ser constantemente mal - educados para  quem os ensina e tenta transmitir o valor do trabalho e da disciplina; ou mesmo no seio familiar, onde antes os filhos tinham respeito e até medo e ,agora , muitos têm a ousadia de contrariar a sua autoridade , chegando mesmo a insultar e a agredir os seus progenitores.
            A geração que fez o 25 de Abril e batalhou por um futuro melhor desenvolveu uma descendência que tem tudo garantido e que perdeu a noção que a nossa liberdade acaba quando começa a do outro. Se antes os meninos brincavam na rua ao berlinde e ao pião e sabiam ser crianças, agora ,antes de saberem dizer obrigado , já têm e sabem trabalhar com qualquer dispositivo tecnológico , preferindo este ao contacto humano.

            Posto isto, é fácil perceber que a forma como a juventude usufrui desta etapa da vida é diferente. Se ,por um lado, hoje consegue-se mais liberdade, conforto e acesso à informação , por outro, há menor valorização do trabalho e da educação. Os adultos que foram privados de uma vida digna, criam os filhos a “  pão de ló “ estragando-os, e é inegável que os jovens de hoje vão ser os alicerces de um país, pois neles está a responsabilidade de serem  os agentes de transformação desta nação.

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