Saudade,
palavra definida como sendo a lembrança
grata de pessoa ausente ou de algo de que alguém se vê privado, é um
termo que está entranhado na alma lusitana desde todos os tempos. Vocábulo tão português dispensa tradução em
qualquer língua , o que avulta a sua unicidade .
Conceito constituído por apenas
sete caracteres acarreta em si grande parte da História portuguesa. Diretamente
ligada à tradição marítima lusitana, está presente na ânsia do regresso dos marinheiros,
assim como nos conta o sofrimento daqueles que procuraram novos horizontes e
que como consequência lhes foi oferecido o vazio, a solidão numa terra estranha, longe de
entes queridos e a ânsia do regresso.
Mistura de sentimentos entre o amor, a tristeza e o sentimento de perda
desperta em nós uma angústia extrema , capaz de levar qualquer um ao desespero
. E basta um cheiro, uma palavra, um espaço , um gesto ou até uma data para que
as recordações invadam a mente humana e façam estremecer os seus corações.
Contudo a saudade está inerente ao amor . Porque só quem amou e foi
feliz no passado, pode ter saudades . Porque é ela que vai permitir que a
memória perdure no futuro , pois não se tem saudades das vivências negativa. A
saudade é a certeza que o passado não morreu dentro de cada um .
Mas se o sofrimento a que este sentimento obriga é penoso, a sua
superação tornou-se numa obra. Obra que nos tornou maiores . Da saudade nasceu
o fado. E foi nosso destino dar o fado ao mundo como Património Oral e Imaterial da Humanidade.
Assim sendo , conseguimos conceber um português saudosista , e foi essa
característica que nos fez evoluir enquanto povo. É essencial lembrar o passado
para nos recordarmos de quem fomos e quem
queremos ser.

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