quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

A "nossa" saudade

                

                Saudade, palavra definida como sendo a lembrança  grata de pessoa ausente ou de algo de que alguém se vê privado, é um termo que está entranhado na alma lusitana desde todos os tempos.  Vocábulo tão português dispensa tradução em qualquer língua , o que avulta a sua unicidade .
                Conceito constituído por apenas sete caracteres acarreta em si grande parte da História portuguesa. Diretamente ligada à tradição marítima lusitana, está presente na ânsia do regresso dos marinheiros, assim como nos conta o sofrimento daqueles que procuraram novos horizontes e que como consequência lhes foi oferecido o vazio, a solidão numa terra estranha, longe de entes queridos e a ânsia do regresso.  Mistura de sentimentos entre o amor, a tristeza e o sentimento de perda desperta em nós uma angústia extrema , capaz de levar qualquer um ao desespero . E basta um cheiro, uma palavra, um espaço , um gesto ou até uma data para que as recordações invadam a mente humana e façam estremecer os seus corações.
Contudo a saudade está inerente ao amor . Porque só quem amou e foi feliz no passado, pode ter saudades . Porque é ela que vai permitir que a memória perdure no futuro , pois não se tem saudades das vivências negativa. A saudade é a certeza que o passado não morreu dentro de cada um .
Mas se o sofrimento a que este sentimento obriga é penoso, a sua superação tornou-se numa obra. Obra que nos tornou maiores . Da saudade nasceu o fado.  E foi nosso destino dar o fado ao mundo como Património Oral e Imaterial da Humanidade.
Assim sendo , conseguimos conceber um português saudosista , e foi essa característica que nos fez evoluir enquanto povo. É essencial lembrar o passado para nos recordarmos de quem fomos e  quem queremos ser.

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