sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

O inicio do fim ...

Algo estranho se apodera do meu corpo e da minha alma… abro os olhos, miro o infinito azul coberto pelos vastos prédios; oiço o estrondo dos carros ruidosos e o som das inúmeras buzinadelas que os condutores fazem questão de realizar para que o amontoar de indivíduos se disperse, mas o que me chama mais atenção é a quantidade de pessoas que vêem em minha direcção com o pânico estampado no rosto…Sinto-me frágil, delicada como uma flor a quem é recusada a água, não consigo sentir as pernas geladas, oiço com dificuldade o meu respirar e o batimento cardíaco...Cada vez mais sinto-me abafada pelas pessoas que não sei porque continuam a aproximar-se como se o mundo tivesse parado… de longe começo a ouvir o som perturbante dos bombeiros… quando deparo com uma imagem um tanto ou quanto luminosa e radiante, como se de uma fada se tratasse, mas essa “fada” era especial, nela recordei o rosto delicado e transparente da minha avó, mulher firme, determinada, meiga e sempre com uma palavra quente e confortante, e nessa imagem algo me atraía, talvez seja a forma calorosa e protectora como me chamava com aquela sua particular voz que conseguia cativar qualquer um… por detrás da fada radiante, encontrava-se uma imagem de um homem bem-parecido e imponente, meu avô, homem de uma só palavra, homem que acima de tudo me amava… no chão coberta de sangue recordei os dias de Primavera em que com ele saía para longos passeios matinais e onde deslumbrava o cintilante nascer do sol e os passeios á beira-mar, foi ele que me passara o gosto do mar e de tudo que tivesse ligado á natureza, nele recordei o doce sabor da infância e num acto inconsciente as lágrimas da alma percorriam a minha face pálida e fria. Eles não falavam, tal como os anjos, mas em seus olhares encontrava aquele aconchego que procurava nesse momento e minha alma caminhara em sua direcção... e de repente o ar já não saia dos pulmões, o coração já não bombardeava o sangue, meu corpo estava gelado, meus sentidos já falhavam e o último som que eu ouvi era dos passos e das vozes dos médicos que tentavam-me socorrer... e naquele momento lembrei-me de tudo, daquele condutor embriagado que tinha ultrapassado aquele sinal vermelho, e embateu contra a viatura onde eu me encontrava sozinha e percebi que o meu destino já estava traçado e nada podia mudá-lo…

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