sábado, 24 de dezembro de 2011

A esperança por detrás da infelicidade


Hoje acordei… olhei pela janela e nada me atraía, nada me cativava… 
Tudo me parecia negro, como se a alegria de viver tivesse sido retirada de mim. Levantei-me, preparei o pequeno-almoço com o pouco de comida que ainda tinha no frigorífico.  Sentei-me a olhar pela janela  a observar as famílias que passeavam lentamente pela rua com a felicidade estampada nas suas caras como se o mundo fosse cor-de-rosa, mas não é… 
E nos meus pensamentos ,uma gota de amargura deslizou pelo meu rosto, lágrimas de saudade que quando não cabem no coração deslizam pela face … 
A vida não tinha sido muito justa para mim. Minha mãe morrera ao dar-me à luz e o meu pai suicidara-se consumido pelas drogas quando eu tinha apenas 12 anos. E, hoje, com 20 nada me resta… a ingenuidade de criança perdera-a quando percebi que pela frente tinha que lutar pela minha sobrevivência. A alegria da infância foi-me roubada quando o destino me deu um caminho que não tinha sido aquele que eu escolhera para mim e aos 14 anos tive que desistir de tudo o que eu sonhará para garantir a minha continuidade. Mas de nada me resta ficar sentada na mesa e protestar aquilo que a vida escolheu para mim . Vesti-me e saí de casa à procura de um emprego que me desse estabilidade para poder construir a minha vida e caminho, caminho no alcatrão cinzento com a cabeça para baixo de modo a não conseguir ver a felicidade dos outros. Não é que não queira ver os outros felizes, mas parte-me o coração ao ver que a vida foi tão bondosa para muitos e a mim tirou-me tudo aquilo que eu mais precisava- os meus pais . E em minhas memórias de infância reparo numa flor… numa flor delicada com a cor da esperança que conseguira nascer entre dois blocos de cimento e que sobrevivera a tantas pisadelas apressadas como do fim do mundo se tratasse e, nesse momento, o sol surge por detrás do céu coberto de nuvens e o meu coração fica frágil. E percebo… 
Percebo que tudo depende de nós, que se as coisas acontecem é por alguma razão e que vale tudo menos baixar os braços e resignarmo - nos com aquilo que a vida nos deu porque nunca devemos desistir de procurar a felicidade. Por mais dias cinzentos que haja, por mais amarguras que tenhamos,  só temos uma vida e nada, nem ninguém nos deve proibir de a viver . Num acto de inconsciência arranco a flor do alcatrão e corro… corro o mais que conseguir atrás dos meus sonhos com um enorme sorriso estatelado na cara e com a consciência de que a partir daquele dia tudo será diferente… tudo será melhor!

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